TÉCNICORoboCop ou RoboDoc? A IA vem para nos substituir? Insights do ESHRE.
JUL | 2026
A inteligência artificial (IA) não é mais uma projeção futurista, é realidade hoje e quem diz que não usa ou mente ou está desatualizado. Você provavelmente não tem como saber se sou eu mesma, Vanessa, que estou escrevendo esse texto, ou o CHAT GPT! Será??
Na medicina não é diferente, sites de buscas de evidências, uso de programas na radiologia, manejo de agendas, de prontuários. Ela está por tudo. Esse foi um dos tópicos mais discutidos no Congresso Europeu de Reprodução Humana (ESHRE) agora em julho no qual estive presente. Os defensores dessa tecnologia dizem que ao combinar grandes volumes de dados com algoritmos avançados de análise, se pode aumentar a precisão dos diagnósticos, otimizar processos clínicos e apoiar a tomada de decisão por parte das equipes médicas.
Nas clínicas de reprodução humana, uma das primeiras aplicações que surgiram da IA é a avaliação de embriões. Por meio da análise de imagens obtidas durante o desenvolvimento embrionário, sistemas inteligentes podem identificar padrões associados, em tese, a um maior potencial de implantação. Trabalhos revisados por pares e publicados nas melhores revistas da área ainda não confirmaram a superioridade desses protocolos em relação à avaliação do embriologista.
Outra aplicação importante que aparece no nosso horizonte estaria na personalização dos tratamentos. A IA poderia analisar informações como idade, histórico clínico, exames hormonais, fatores genéticos e resultados de ciclos anteriores para identificar padrões e fornecer suporte na definição de protocolos de estimulação ovariana mais adequados para cada paciente. Será que a máquina pode ser superior ao nosso julgamento clínico?
Além do cuidado diretamente relacionado aos tratamentos, a IA poderia aumentar a eficiência operacional das clínicas. Ferramentas inteligentes poderiam automatizar tarefas administrativas, organizar agendas, facilitar o acompanhamento de pacientes, enviar lembretes de consultas e exames, além de responder dúvidas frequentes por meio de assistentes virtuais.
Apesar dos avanços, ainda sou cética sobre a utilização da inteligência artificial como instrumento de substituição da avaliação clínica feita pelo ser humano. A decisão final sobre o tratamento, assim como a responsabilidade dessa decisão, continua sendo do médico, do embriologista, da enfermagem junto sempre com o paciente, que considera não apenas os dados fornecidos pelos sistemas, mas também a experiência clínica, as características individuais do paciente e seus objetivos reprodutivos.